Bebida, futebol e letra feia.

Já passavam das 2h e ainda estávamos no segundo bar da noite, como era costume nas sextas. Se encontravam direto, depois do expediente. Eram os dois amigos, com suas respectivas namoradas e eu. Sem namorado, pela primeira vez na vida, por opção. Bom, não só por opção. Ah, vocês entendem.
Alguns muitos copos depois, já perdida no assunto que estava sendo enrolado há horas e já um pouco alterada, bati a mão na mesa e larguei:
- Homem tem que beber, gostar de futebol e ter letra feia.
Tomei um gole demorado da bebida fermentada e gelada e me senti o maior macho fazendo isso. Faltou só enxugar o bigode do colarinho com lado avesso da mão e falar: Ahhh. Estilo comercial de Kolynos.
Tal afirmação é uma teoria criada por mim e por uma amiga, em uma outra mesa de bar, é claro. Não é algo que se diz pro os amigos assim. Sem mais, nem menos (desculpe, isso foi muito Leonardo Aquino).
Meus amigos me olharam chocados. Suas namoradas pararam com os copos nas mãos e me encararam. Era visível que não concordavam comigo. Elas não gostavam de futebol, no máximo um joguinho do Brasil pra ver o Diego e falar mal do Dunga, que era a nova moda e muito menos deviam entender os garranchos dos manuscritos dos fofos. Minutos (e uhús) depois, os meninos vieram me cumprimentar. O que gerou motivo de discussão o resto da noite.
Elas achavam um absurdo homem gostar tanto de futebol de chegar a ponto de trocar a namorada pelo esporte.
Veja bem. Têm coisas que homens e mulheres, mesmos com namorados e adas precisam fazer sozinhos. Exemplo. Eu adoro ir pra estádio. Uso a camisa, ponho meu tênis nunca usado, bebo cervejão quente e grito palavrão. Sou apaixonada mesmo, adoro futebol e até coleciono camisas de times. Mas, por mais que eu goste e por mais que seja até legal ir com o namorado ou ada, entendo que homem prefere ir só com os amigos. É um programa de homens.
Outro exemplo. Shopping. Coitado se algum namorado fosse comigo ao shopping. Eu sou a companhia mais insuportável do mundo pra tal lugar, por isso odeio ir acompanhada. Amigas? Só pra passear. Compras, prefiro ir sozinha. Pro próprio bem do próximo.
Vamos combinar, homem que não gosta de futebol é chato. Chato pra cacete. Não parece homem. Ele não precisa ser atleta e praticar o esporte, mas tem que gostar, ter um time de coração desde criancinha, xingar o juiz pra se desestressar.
Uma vez fiquei com um menino que parecia perfeito. Bonito, bem sucedido, inteligente, educado, daqueles de abrir a porta do carro e tudo. O conhecia há anos. O que me irritou? Fora o fato dele não entender nada de futebol e o que é pior, não ter nenhum time, ele não bebia. Nada. Nem uma caipirinha ou outra bebidinha de mulher, o que já era horrível. Nem isso. Pior que não gostar de futebol é não beber. Homem que fica 100% sóbrio a noite toda é muito sem graça, vamos combinar. Não que ele tenha que ser bebum, mas chegar num bar, pedir uma garrafa e… Um copo? Nem o garçom ia resistir em não fazer piada. Me senti muito homenzinho.
A letra feia? Bem, a letra feia já é algo pessoal mesmo, beirando ao machismo. Todos meus namorados tinham letra feia. Eu adoro receber cartinhas, bilhetinhos, qualquer coisa escrita e quando vejo algum homem com letra bonita me dá uma raiva. A minha letra já não é a mais bela do mundo se a dele for melhor, brocho na hora.

Acho que estou convivendo com muitos homens ultimamente. Preciso sair da sala de criação. Vou tomar um café.

Comentários (1) »

Duas semanas.

Havia um recado dele ali. Não era nada demais. Bobinho até, mas era um recado. Imaginar ele ali, no meu perfil do orkut me deu coisas. Jamais havia falado com ele, nunca trocado uma palavra. Nada.
Eu sabia quem ele era, claro. Mas a primeira (e segunda e terceira…) impressão nunca foi das melhores. Eu sempre o ignorava, ás vezes inconscientemente, ás vezes propositalmente mesmo. Não gostava dele e pronto. Assim, de graça sabe? Puro pré-conceito mesmo.
Ele era foda. Era a única coisa que sabia dele. Todas as pessoas que eu admirava, admiravam ele. Mas, queria acreditar que ele era um looser, por diversão.
Até que, o nomedele@email.com apareceu me adicionando no MSN. Outro susto. O que raios ele poderia querer comigo? Eu não sou legal e nunca fiz nenhum esforço pra ser simpática com ele. Pelo contrário. Muito contrário mesmo.
A mesma profissão, mesma área, alguns amigos e gostos em comum nos aproximaram bastante. De repente, em uma semana, já havíamos conversado tanto que chegávamos a sentir saudade um do outro.
Ele já não morava mais na cidade, mas havia promessa de retornar em breve. Ligações interurbanas foram o primeiro passo da aproximação. É indescritível o prazer que o simples fato de ouvir a voz de alguém te dá quando se está longe.
Chegou o dia dele voltar. Passar as férias, coisa rápida. A ânsia para se encontrar, dessa vez sem birras unilaterais, era enorme.
O vôo atrasou. Durante o dia, fiquei recebendo mensagens no celular do paradeiro. Ele ainda ia demorar.

Mal havia recebido a última mensagem, o telefone tocou, mas o da agência Era a recepcionista, pedindo pra eu comparecer a recepção. Fui até lá, bem mal-humorada. Sorte dela que eu gostava de ir lá, bater papo.
Abri a porta e lá estava ele. É, o talzinho que ainda estaria no aeroporto de Recife. Sentado, com a maior cara de satisfação, contemplando a minha, de otária. Fiquei uns dez segundos parada ali, segurando a porta com a certeza que algo assim já deve ter acontecido em alguma comédia romântica bobinha. Cadê minha música de fundo, por favor? Alguém?
Ele levantou e fui correndo beijá-lo. Assim, sem tempo pra papinho nem nada e não me importando com a presença da recepcionista chocada ou com as câmeras que davam pra sala do chefe.
Grudamos duas semanas. Logo as férias acabaram e ele teve que voltar pra a cidade onde estava. Foi o tempo certo.
Até hoje, quando chego na agência, olho pra aquela cadeira ali e lembro com saudade de um dia que deixei ser surpreendida por um looser foda. Que não tinha nada de looser e tudo de foda.

Comentários (1) »

Design de inutilidade.

Amigos design-ers, dia desses, achei um site bem legal de imagens, conhecidinho até, é o ffffound(isso, com 4 éfes).com. Perdi úteis horas no trabalho admirando as fotos, efeitos. Bem massa, ó! (emoticon pedindo carona). Abaixo algumas imagens mais legais, que ilustraria qualquer camisa de publicitário hype que se preze:


Eu queria um desses na minha sala. Tem versão compacta pra quarto?


Carmem rocks! \m/


- Tem desse da Hilary? Ah, poxa… Então tá, obrigada.


- You’re not my father!


Em homenagem ao meu ex-cachorro-compartilhado-com-ex-namorado fidel.


- Tô com medo disso, vóóó.



Queria dar uma camisa dessa de presente.

And last, but not least:

Vão trabalhar!!!
A propósito, dois posts no mesmo dia. Que vergonha.

Comentários (3) »

Made in Pará

Minha amiga, ex-modelo, fotógrafa, publicitária e blogueira famosa Karla Nazareth e o amigo, assessor, sobrinho do homem e aspirante a celebridade X-Pedro sem salada Loureiro, criaram o modesto (e já lotado) Blogueiros Paraenses. Uma idéia legal com direito a matéria no jornal e tudo me enchendo de orgulho dos dois, snif.
E eu, como boa amiga (mas péssima blogueira) que sou, venho fazer uma divulgaçãozinha, mas bem inha mesmo, porque a comunidade já está ‘bombando’ (para os dois, que odeiam quando eu falo isso). Pedro, só para finalizar: ‘adóóóóóóóóóóóro!’.

Sem comentários »

Alí.

E ficaram ali. Sentados, um do lado do outro, depois de um dia inteiro curtindo apenas suas companhias. Enfrentaram kms só para estarem ali.
Não falavam nada. Inconscientemente, ficaram tentando adivinhar o que o outro estava pensando. Ambos sabiam que o simples toque do braço direito dela com o esquerdo dele não aconteceria tão cedo. Tentaram evitar, mas ambos pensaram nisso no mesmo momento. Ninguém falou nada. Não precisava.
Ela ficou olhando para os cantos roídos das unhas dele. Ele revezava olhar pra frente e pra baixo. Quando olhava pra ela, ela fingia não perceber.
O táxi chegou. Ela fingiu não ver. Ele ficou olhando fixamente para o veículo até os dois levantarem. Ele era muito mais alto do que ela.
E ficaram ali, mais uma vez, um olhando pra cara do outro e os dois querendo falar a mesma coisa. Ela não queria ir, ele não queria que ela fosse. Mas não falaram nada. Ambos liam a mente um do outro.
Se abraçaram. Os dois com cara de: - É isso. Ela entrou no táxi, rindo, fingindo estar tudo bem. Virou para ele pra dar um tchau e ele estava lá, parado ainda, com a mesma cara de “é isso” de antes, mas olhava perdido.
O táxi não esperou. Acelerou e logo foi andando, pra longe. Ela não olhou pra trás, não chorou, não sorriu. Nada. Quando deu a volta no quarteirão, pensou em parar o táxi, sair correndo até onde ele estava e dizer que não queria ir. Imaginou toda a cena. Que a missão estava incompleta, precisava ficar ali. Ela não queria voltar, sabia que se encontrar ali novamente seria difícil. Não queria perder a companhia dele. E ele lá, voltando pra casa, no fundo, talvez ficasse esperando que isso acontecesse. Olhasse pra trás com esperança de vê-la correndo, com as sacolas na mão. Pensou também, enquanto o táxi partia, em sair correndo, pedir pra parar e falar tudo o que ficou na cabeça de ambos.
Mas, tudo ficou só na imaginação. Quando deu por si, o táxi já estava parado no Extra, onde ela havia pedido. E ficou ali, sozinha, mas pensando nele. Foi quando decidiu o que realmente queria. E talvez, ele também.

Comentários (1) »

A primeira noite com Amy.

Até dia desses, eu (e pelo visto, a única) não fazia idéia do que seria Amy Winehouse. Seria uma loja de lingerie, uma atriz pornô, uma vinícola (Amy’s Winehouse. Entendeu? Rá!). Até que, googleando, descobri que não se passava de uma cantora, com maquiagem ultrapassada e um penteado, um tanto, er… Enfim, resolvi baixar o cd. Ouvi uma vez e o deixei, carinhosamente, jogado em uma pasta chamada lixeira.
Até que eu, em mais uma das minhas novas manias de aposentar o abajur e ir pra cama com a tv na mtv no timer, fui dormir com com o clipe dela de fundo. Mas, como era um que nunca tinha visto (até porque, o que era Amy Winehouse mesmo?), tirei do mute e fiquei com a droga da música na minha cabeça durante dias. Será que vai ficar na cabeça de vocês também?
:)

Comentários (4) »

Watchatchá.

Ok, eu não sei bem como tudo isso começou. Se você me perguntar, bem, eu não saberei dizer exato, o fato é que eu, fazendo parte de todo o 1% da população mundial feminina, adoro japoneses. É, japoneses, sansei, nissei, mestiços… Assim como você gosta de loiras e seus amigos de ruivas, eu gosto de japoneses. Convenhamos, tem coisa mais charmosa que aqueles olhos puxados, o cabelo escorrido caindo no rosto e a risada de bobo?
Não sei como começou, voltando no tempo, acho que deu início em 95 com o Bento, guitarrista dos finados Mamonas Assassinas. Lembro do dia exato do papai chegando em casa, balançando os três ingressos para o show como cartas de pif e paf e cantando (dançando): “roda roda vira, solta a roda e vem…”
- Olhaaa, nós vamos pro show! Nós vamos pro show!
- Pai… jamais dance isso de novo, ok?
Lá estava ele no palco, com suas trancinhas rastafári, cara de nerd e com a famosa dancinha de retardado. Não sei o que tem de atrativo nas atitudes acima, mas foi amor, de verdade.
Enfim, meses depois ele e seus amigos morreram de acidente de avião. Minha primeira decepção amorosa sansei (ou nissei?).
O segundo foi er… vamos chamá-lo de Francisvaldo. Eu estava no 1º ano do colégio e ele já fazia medicina. Era bem mais velho e era guitarrista (e vocalista) da banda do meu irmão postiço. O Francisvaldo era demais. Era inteligente, bacana, sarcástico, cabelos na altura dos ombros e ainda tocava beatles pra mim. Nos falávamos madrugada adentro por telefone. Acho que eu devia ser muito legal mesmo, porque mesmo com tudo isso, ele nunca quis nada além de conversas madruguísticas comigo. Acho que me via como a irmã mais nova do amigo dele ou, devia ser meu aparelho nos dentes também. Enfim, segunda decepção amorosa.
Depois do Francisvaldo, me apaixonei platonicamente pelo… Vamos chama-lo de Reinaldo. O Reinaldo era o irmão mais novo do Francisvaldo, que como o irmão, também tocava na banda.
O Reinaldo, diferente do Francisvaldo era tímido, inteligente e de poucas palavras. Não falava quase nada, mas fazia bastante movimentos com os lábios que pareciam sorrisos. Era o oposto do Francisvaldo e isso me encantou absurdamente. Acho que devo ter trocado umas três frases completas com ele, tipo:
- Oi, tudo bom?
- Tuuudo.
- Então até mais.
- Até.
Até que ele se mudou para São Paulo, fazer medicina. Decepção nissei (ou sansei, droga, qual é a diferença?) número 3.
O quarto foi o Japinha, baterista do CPM 22. Ok, admito eu tenho um cd e um dvd do CPM 22, ok? Ora, vão dizer que vocês não têm um passado negro? Tá bom.
Com o Japinha, até rolou um envolvimento maior. Ficamos amigos de orkut, de msn, ele ligava a webcam pra mim, enfim… Mas, nunca chegamos a nos encontrar pessoalmente. Na verdade, uma vez o vi chegando com a banda no aeroporto e fiquei tão chocada ao vê-lo ali que soltei um tímido, entre fãs desesperadas e cartazes feitos de última hora com batom: olha o JAPINHAAAAAAAAAAAAA!
Ele virou, olhou pra mim (juro que ele olhou pra mim) e deu um tchau. Gente, ele olhou pra mim e deu um tchau! Assim, balançando a mão e tudo mais. Quer um relacionamento maior que esse?
Porém, depois de todas as decepções, ainda não desisti de encontrar minha alma sansei-nissei gêmea. A Liberdade é um ótimo lugar. Droga, preciso voltar pra São Paulo.

Ouvindo: BB King (graças ao Valério da agência).
Vendo: 2ª temporada de Friends.
Lendo: Porcaria nenhuma, muita preguiça.
Querendo: Alguém que saiba formatar computador de graça e que, misteriosamente, o dinheiro na minha conta triplique sem nenhuma razão.

Comentários (3) »

011 x 021.

Final do expediente. Lá estava eu mais uma vez perdida no blog *Dele. Ah, ele… Ele que nem desconfia que já foi pra minha prateleira de ídolos – Até porque ele não te conhece, Flávia – É, mas ele é meu amigo de orkut, tá, tá? – Não importa – Droga.
Me deparei com um texto que fez eu rir tão alto e ter a certeza que existe, com certeza, alguma ligação entre nós – Cala a boca, Flávia – Juro que estava pensando muito em escrever sobre isso esses dias.
Eu sempre fiz mais o estilo garota do rio, calor que provoca arrepio (???) do que alguma coisa acontece em meu coração, que só quando cruza o Ipiranga e Av. São João (nunca entendi o porque disso, acho que era só pra rimar com coração). Mas, certamente, em minha última viagem pro incrível mundo paulistano-meu, alguma coisa, realmente, aconteceu. Voltei apaixonada. Por muitos motivos.
É, uma garota exacerbadamente (acabei de ler isso em algum lugar) louca por praia, bijouterias de hippies e que até dia desses tinha mechas loiras no cabelo, apaixonada… por São Paulo! Quem se apaixona por São Paulo fora o Caetano Veloso? É uma cidade grande, com trânsito estressante, sem farofa e de pessoas estranhas. Mas eu me apaixonei e daí? Tem explicação pra isso? Também já namorei caras estressantes e estranhos.
Uma das coisas que mais me irritam até hoje no Rio é o sotaque carioáca. Nunca entendi porque eles colocam a letra A depois das vogais. Juro que esse era um dos meus projetos de estudo, mas Ele, claro tinha que ser ele, conseguiu expressar o que eu queria fazer pro mundo há muito tempo.

“A única ligação entre São Paulo e o Rio de Janeiro é a Dutra. Fora isso, tudo nos afasta: o clima, a geografia, os costumes e, claro, o idioma — ou você vai me dizer que João Gordo e Evandro Mesquita falam a mesma língua? (…)O choque de civilizações, no entanto, está com os dias contados. Tendo em vista a amizade entre os povos, a paz mundial e os bolinhos de bacalhau do Jobi, resolvi fazer alguma coisa. Mergulhei em intensos estudos carnavalescos, escaldantes pesquisas praianas – entre outras experiências extremamente arriscadas (para um paulista) — e trouxe à luz, acredito, uma grande contribuição para o entendimento entre os dois estados: a Pequena gramática do carioquês moderno.
Nela, cheguei às três regras básicas da língua falada por aquele povo: a regra do R, a regra do S e a regra das vogais. As duas primeiras são de conhecimento geral: R no final da palavra ou no meio se fala arrastado (porrrrrrta, perrrrrrto), e o S transforma-se em X (mixxxxxto-quente, paxxxxta de dentexxxx). É na regra sobre as vogais, no entanto, que consiste a originalidade da minha descoberta e é ela que fará com que a minha gramática, assim como meu nome, ainda ressoem por aí muitos séculos depois que eu tiver ouvido repicar o último tamborim.
Enquanto em São Paulo somos alfabetizados com o A – E – I – O – U, as crianças do Rio de Janeiro aprendem A – Ea – Ia – Oa – Ua. Sim, há um A depois de cada vogal. Pegue qualquer palavra, como copo, pé e carro, por exemplo, e aplique a regra das vogais. Agora, fale em voz alta: coapoa, péa, carroa. Viu só? Aía, éa sóa voacêa pôarrrr A eam tuadoa, troacarrr S poarrr X e eaxxxticarrr o R quea fiaca óatiamoa.
O caminho inverso também funciona. Ao ouvir uma frase em carioquês, por exemplo: “Tua éa móa manéa, paualiaxxxxta oatarioa, voalta pra Móoaca”, transcreva-a, subtraia os As sobressalentes e você terá a sentença em paulistês.
Embora seja um grande avanço em face da estagnação em que estavam os estudos do carioquês por estas bandas, minha gramática ainda tem um enorme desafio a esclarecer: como é que o S vira R na palavra mearrrrmoa (mesmo)? E, mais ainda, por que é só nessa palavra? Tema apaixonante ao qual, prometo, retornarei em breve.”

*Dele: filho mais velho do Seu Mário Prata, o Antônio. :)

Comentários (3) »

Gripe? Dor de garganta? Tosse? Nariz entupido? Dor de ouvido? Aqui tem!

A sala de criação da agência em que eu trabalho não tem uma janelinha sequer. Na verdade, rola um boato que acharam uma um dia enquanto faziam a limpeza, mas a cobriram com uma persiana que não abre nunca. Imagina… Uma janela! Que audácia! Ou seja, ver a luz do dia ou saber se está caindo o mundo lá fora, nem pensar. Acho que sofro um pouco com isso. Minhas antigas salas, uma dava visão panorâmica de uma das ruas mais movimentadas de Belém (acho que foi por isso que não durei na criação) e a outra eu tinha até uma sacada.
Hoje, compartilhei minha tão amada gripe com todos da sala. Ambiente fechado, não mandei né? Na verdade, eles até cogitaram ser uma vingança minha, depois de já ter sofrido tanto com ar em cima de mim. Enquanto todos suavam com seu clima de 30º eu morria de hipotermia.
Odeio ficar gripada. Já sou lerda por natureza, gripada eu fico irritada, corpo mole e com uma preguiiiiiça. Estou naquela fase da gripe em que a cabeça fica pesando uma tonelada, com olfato inexistente e a voz rouca, a la traveco do Ronaldo Fenômeno, “sááábe, fofa”? Súúúpêêêr sexy, meu.
Trabalhar na criação é legal, apesar de não ser da criação. Sou uma produtora, que parece atendimento com gosto de tamarindo. Aliás, sempre amei todas as salas de criação das agências em que já trabalhei.
O primeiro estágio foi numa agência/casa que tinha só dois compartimentos. A sala de criação era gigante, gigante mesmo, até mesmo para três funcionários e uma estagiária bagunceira e dedicada (eu). A outra era menor e entupida. Entupida de pessoas, de tralha, de poeira… Era mais divertida, mas era uma bagunça. Vivia empoeirada e era impossível achar qualquer coisa. Pessoas se perderam ali. Mas, era coberta de janelas por todos os lados. Saudade daquela sala. Adorava entrar lá desesperada cobrando alguma coisa, pedindo o tamanho de algum layout ou só pra bater papo mesmo. No meu recreio do expediente (que eu mesma me auto decretava) eu fugia pra lá. Jogávamos Medal of Honor para se desestressar. Eu, como única mulher, era péssima, mas me viciei rápido.
Trabalhar na criação tem suas vantagens. As salas dos chefes ficam aqui em cima, não precisa ter que ficar subindo escada. O ambiente é legal, sempre rola alguma música (de Amy Winehouse a forró). Mas lógico que tem suas desvantagens. O banheiro feminino fica no primeiro andar, a copa também. O que me contenta é que lá embaixo também não tem muitas janelas. Ainda roubo uma da mídia e trago pra cá.

Comentários (1) »

Vinte e quatro do quatro.

Hoje, vinte e quatro de abril, é um dia especial. Finalmente, achei minha especialização, ôba! É sério. Achei o curso, lugar, universidade e valores. Não aguentava mais tanto procurar. Andava frustrada, me sentindo sem rumo. Não tinha nada que eu via e dizia: É ISSO! E quando achava algo “marrom”, não tinha lá muita vontade (lê-se também poder aquisitivo para tal). Até porque sou uma pessoa em constante confusão. Nunca me peçam pra decidir nada, porque eu ainda não aprendi como se faz isso.
Já vai fazer um ano e meio que me formei e estava me sentindo estacionada. Quando se tem um emprego, isso tende a ser menos explícito. Mas, francamente, eu estava virando uma folgada.
Antes, eu mal respirava. Era o estágio (trabalho) escravo até 18h, depois universidade (longe, muito longe), pegando aquele trânsito lindo e agradável de fim do expediente. Chegava quase sempre meia-noite em casa. E ainda tinha academia todo o dia, espanhol aos sábados e saía todo o fim de semana. Agora, me diz, com que pique? Hoje só vou pro trabalho e já basta pra chegar semi-morta em casa. Ligo a tv, entro na internet e tudo com um esforço e uma preguiça mortal de existir. Acho que envelheci dez em um ano, porque isso parece fazer parte de um passado muito, muito distante.
Hoje também deletei meu orkut. Tenho orkut desde 2004 e acho uma arma tecnológica incrível. Encontrei amigos e primos distantes. Achei o menino que eu era apaixonada e namoramos até, um ano e muitos, tudo através do orkut. Mês passado encontrei meus amigos da alfabetização e estamos até marcando um encontro. Gente, alfabetização! Todo mundo deveria ter orkut, não seria mais fácil?
Mas, ao mesmo tempo, o orkut.com te deixa exposto de tal forma que é até indecente. Mesmo trancando as fotos e os recados, todos sabem quem são teus amigos, as coisas que gosta e os lugares que frequenta através das comunidades. Depois que roubaram meu msn, ando bastante receosa a exposição internética e sumir por um tempo vai ser bom. Lógico que daqui a pouquinho crio outro. Bora ver até quando dura, né? Lancem suas apostas.
Não vou cortar mais franja. É isso mesmo. Sou adepta da franja (não a retona, aquela a la Carmen San Diego, como diz um amigo meu) desde que entrei na faculdade. Meu apelido uma época era franja (?). Virou algo bem característico até, mas hoje em dia todo mundo usa. É um saco, tem de todos os modelos e cores. Perdeu a graça. Até fiz uma votação no msn e o not to be franja ganhou. Bora ver até quando dura também.
Fiz um novo fotolog. Pelas minhas contas, é o meu terceiro. Abri, coloquei uma foto, mas já cansei. Foi mais rápido do que pensei. Adios, de novo, fotolog.net.
Meu namoro acabou. Pela milésima vez e pra sempre. Quem nunca cometeu nenhum erro que coloque o dedo aqui. Oras, eu que já chorei e já tive que aguentar tanta coisa também. Ah, Flávia, mas é mais divertido julgar sem olhar pro próprio umbigo, né? :) Claro, havia esquecido. Cada ação, uma reação. Cada ato, uma conseqüência.
O blog (??) voltou! Êêê! Esse… Bem, esse eu não sei até quando mesmo. Vamos torcer para que dessa vez dure. Ou não?

Ouvindo: Cat Power (graças a Tici)
Lendo: Ainda Mário Prata. Vamos ver se consigo retomar “a menina que roubava livros” nesse meu fim-de-semana, solteira e com edredom paulista novo.
Querendo: Dinheiro, agora mais do que nunca.

Sem comentários »